• Acesse a área exclusiva:

Obesidade

Obesidade e Cirurgia

A cirurgia da obesidade, também chamada de bariátrica, é reconhecidamente o melhor método no tratamento da obesidade que resulta em uma perda de peso duradoura. Dietas e outros programas têm demonstrado resultados muito pobres em longo prazo, todos com incapacidade de manter a perda de peso.

Por que a cirurgia?

Estudos mostram que existe um risco muito maior do paciente morrer por complicações clínicas relacionadas à sua obesidade do que morrer com a realização da cirurgia e os benefícios que ela traz. Estatísticas mostram que, na faixa dos 25 aos 35 anos, a taxa de mortalidade dos grandes obesos, com o dobro ou mais do peso ideal, é 12 vezes maior do
que na população em geral. Essas pessoas morrem mais cedo porque acabam desenvolvendo doenças decorrentes da sua obesidade. É muito raro encontrar um grande obeso que chegue aos 70 anos. A mortalidade por cirurgia bariátrica laparoscópica em publicações feitas no ano de 2009 foi de 0,3%. Estudos vão ainda mais longe, demonstrando que o risco de morte em pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica é 35% menor do que aqueles (com IMC > 35 Kg/m²) obesos que seguem tentando realizar apenas o tratamento clínico.

Quem pode operar (critérios)?

  • Pacientes com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40 kg/m2.
  • Pacientes com IMC maior que 35 kg/m2 e afetado por co-morbidades, tais como
  • diabetes melito, apnéia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronariana, osteo-
  • artrites e outras.
  • Idade: maiores de 18 anos. Idosos e jovens entre 16 e 18 anos podem ser operados,
  • mas exigem precauções especiais e o risco/benefício deve ser muito bem analisado.
  • Obesidade estabelecida, conforme os critérios acima, com tratamento clínico prévio
  • insatisfatório de, pelo menos, dois anos.
  • Não uso de drogas ilícitas ou alcoolismo.
  • Ausência de quadros psicóticos graves ou moderados.
  • Compreensão, por parte do paciente e familiares, dos riscos e mudanças de hábitos
  • inerentes a uma cirurgia de grande porte sobre o tubo digestivo e da necessidade de
  • acompanhamento pós-operatório com a equipe multidisciplinar.

Como medir meu IMC (Índice de Massa Corpórea) ?

  • Basta dividir seu peso (Kg) por sua altura (em metros) ao quadrado (Peso/altura²)
  • 18,5-24,9 – Peso adequado
  • 25,0-29,9 – Sobrepeso
  • 30,0-34,9 – Obesidade Leve
  • 35,0-39,9 – Obesidade Moderada
  • 40,0 ou mais – Obesidade Mórbida

Veja o link para fazer o cálculo

Quais os tipos de cirurgias ?

A duas operações mais realizadas pelo nosso grupo são a gastroplastia redutora (também chamada de bypass gástrico ou Fobi-Capella) e a gastrectomia vertical (sleeve ).

Outras técnicas menos utilizadas são a banda gástrica e as derivações bileopancreáticas (Duodenal Switch, Scopinaro).

Estas operações são realizadas pela técnica de vídeo laparoscopia, como podem ser vistas nos vídeos.

Gastroplastia redutora (bypass gástrico)

Gastrectomia vertical

Quais os Riscos e Benefícios ?

É muito importante mencionar que esta cirurgia não é recomendada por motivos estéticos. Todos os procedimentos cirúrgicos que oferecemos já foram estudados e demonstraram ser eficazes para a perda de peso em longo prazo. No entanto, qualquer cirurgia carrega certa dose de risco. Dependendo da cirurgia, os riscos iniciais podem incluir infecção, coágulos
sanguíneos, falta de cicatrização, obstrução intestinal, disfunção do coração e pulmão, ou mesmo complicações da anestesia.

Nas semanas ou meses após a cirurgia, os riscos podem incluir vômitos freqüentes, úlceras de estômago, síndrome de dumping, obstruções e deficiência vitamínica ou mineral. Muitos destes riscos podem ser diminuídos seguindo as orientações de dieta e uso de suplementos vitamínicos. Esta é uma visão geral. Você precisará discutir os riscos específicos de sua cirurgia com seu cirurgião.

Os pacientes que seguem as orientações alimentares geralmente perdem três quartos ou mais do seu excesso de peso, sem sentir fome entre as refeições. Muitos são capazes de diminuir ou interromper a medicação para diabetes, hipertensão arterial e colesterol alto. Dores nas costas e articulações, inchaço nas pernas, bem como outros problemas relacionados com o peso, melhoram geralmente quando os pacientes perdem peso.

Enquanto alguns pacientes não atingem um peso corporal ideal, a maioria desfruta de enorme melhoria na sua saúde, aparência, auto-estima, e a capacidade de realizar atividades físicas.

Sucesso após a cirurgia é medido não apenas pelos quilos perdidos e uma mudança na aparência, mas também pela melhoria da saúde dos pacientes, em geral, bem-estar e alegria de viver.

Quero operar. Que devo fazer?

Marque uma consulta. Em uma consulta médica detalhada, você será avaliado se preenche os critérios para a cirurgia da obesidade. É necessária uma rigorosa avaliação pré-operatória, para não se correr nenhum risco desnecessário. Serão solicitados exames pré-operatórios específicos, como laboratoriais, endoscopia, ultra sonografia, avaliação endocrinológica, cardíaca e pulmonar, assim como nutricional e psicológica. Caso necessário, outros exames serão solicitados.

Vou operar. Como me preparar antes da operação?

Para o sucesso de sua operação, um pré-operatório adequado se torna fundamental. Após marcação da data da operação, você receberá instruções da dieta e jejum antes de internar. Assim, você será instruído para levar ao hospital uma meia elástica específica para prevenção de trombose venosa, um dispositivo para fisioterapia respiratória e uma faixa abdominal com velcro para trazer mais conforto pós-operatório. Estas avaliações são individualizadas.

Na véspera da cirurgia, o obeso não deve fazer “uma despedida dos prazeres da comida”, devendo-se alimentar apenas de líquidos. O jejum deve ser iniciado a partir das 22 horas do dia que antecede a operação. Deve se dirigir ao Hospital para ser internado, no mínimo uma hora antes do horário previsto para a cirurgia, munido de seus documentos pessoais, do convênio, carta de internação e de TODOS OS EXAMES PRÉ-OPERATÓRIOS.

Após a cirurgia

A cirurgia dura aproximadamente três horas, entretanto o paciente permanece na sala de recuperação pós-anestésica por mais algumas horas, com a supervisão constante da equipe anestésica. Geralmente há pouca dor, facilmente contornada por medicação, e o paciente é estimulado a sair precocemente da cama e andar. Isto evita complicações respiratórias. Durante a internação, o paciente recebe anticoagulantes e antibióticos. A média de permanência hospitalar é de três a cinco dias após a cirurgia. No primeiro dia da operação, você permanecerá em jejum. Posteriormente, poderá ingerir líquido e, em seguida, alimentos pastosos. Deverá usar meias especiais para ajudar a prevenir a formação de coágulos. Para evitar e controlar adequadamente a dor, analgésico endovenoso e oral será prescrito.

Você será capaz de ir para casa quando tolerar ingestão de líquidos ou purê, sem vômitos; capaz de se deslocar sem muita dor e não necessitar de remédios por via endovenosa.

Do 2º ao 30º dia é aconselhável ingerir apenas líquidos (sucos, chás e sopas coadas), para não forçar o “novo” estômago. É fundamental que o operado NUNCA SE ESQUEÇA que seu estômago está 97% menor e NUNCA dê grandes “bocadas”, limitando-se a ingerir, NO MÁXIMO 200g por refeição, mastigando-a demoradamente, já que o diâmetro de passagem dos alimentos é menor que 2,0 cm. Por sete dias é administrado anticoagulante. Nos primeiros 60 dias deverá tomar uma medicação para diminuir a acidez gástrica. Os esforços na primeira semana são proibidos para se evitar o aparecimento de hérnias: carregar pesos, atividade sexual, dirigir carros, ou subir e descer freqüentemente escadas.

Dicas para o sucesso da sua operação

A maioria das pessoas perde cerca de quatro a oito kilos por mês no primeiro ano após a cirurgia. Você irá perder peso mais rapidamente nos primeiros meses, quando você ainda está em uma dieta líquida ou dieta pastosa. Ao longo do tempo essa perda irá diminuindo e seu organismo encontrará equilíbrio com seu peso mais adequado. Você pode perder metade ou mais de seu peso extra nos primeiros dois anos. Perder peso suficiente após a cirurgia quase sempre acarreta melhora da asma, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apnéia obstrutiva do sono, colesterol alto e doença do refluxo gastroesofágico. Pesando menos, se torna muito mais fácil para você se movimentar e fazer atividades diárias.

A cirurgia da obesidade é uma ferramenta importante no tratamento da obesidade. Entretanto, só a cirurgia não é suficiente para você se manter em um peso ideal. Para alcançar o sucesso, você também precisa programar mudanças importantes na sua dieta e no seu estilo de vida.
Assim:

  • Adote uma dieta saudável, rica em proteínas
  • Coma três pequenas e saudáveis refeições por dia
  • Evite excesso de lanches e petiscos
  • Tente evitar alimentos ricos em açúcar, amido e alto teor de gordura
  • Faça exercícios aeróbicos pelo menos três vezes por semana
  • Faça controle periódico com sua nutricionista, pois ela vai avaliar a necessidade de
  • suplementos vitamínicos e minerais logo após a operação para evitar deficiências de ferro,
  • vitamina B-12 e cálcio

Siga os controles médicos programados, fazendo regularmente os exames de sangue para monitorar seu estado de saúde

Portanto, pacientes que constantemente programam essas mudanças após a cirurgia, desfrutam de uma taxa de sucesso muito elevada e a menor chance de complicações.

Riscos específicos da operação

Toda pessoa que pretende se submeter ao tratamento cirúrgico tem que estar ciente dos riscos e conseqüências que ela corre quando sofre uma intervenção cirúrgica deste porte. Alguns destes riscos são graves e você deverá discuti-los com seu cirurgião. Muitas das complicações podem ser diminuídas por medidas de prevenção, onde o próprio paciente e sua equipe médica irão atuar em conjunto.

Um dos graves problemas é a formação de coágulos sanguíneos nas pernas, causando tromboses e embolias. Isso muitas vezes se dá pelo fato de o paciente permanecer acamado por longo tempo. Assim, tão logo possível, ele deverá levantar-se da cama e caminhar. O uso de meias elásticas e de medicação anti-trombose também auxiliam na prevenção dessa grave complicação.

Como em qualquer operação, infecções e hemorragias podem ocorrer. Órgãos como os pulmões podem ser afetados. Diante disso, uma fisioterapeuta irá atuar imediatamente após a operação para tentar evitar infecções pulmonares.

Outros problemas que podem ocorrer durante ou logo após a cirurgia de bypass gástrico são: lesões de órgão durante a cirurgia, como o estômago e intestino, vazamento através dos grampos no estômago ou intestino logo após a cirurgia (isso pode exigir uma cirurgia de emergência), obstruções no trânsito intestinal.

Os riscos ou problemas decorrentes da perda de peso que podem ocorrer ao longo do tempo são: úlceras e estenoses das anastomoses (locais de emendas no estômago e intestino),
hérnias, anemias, deficiências de vitaminas e minerais. A formação de pedras nos rins e vesícula biliar pode ocorrer quando você perder peso rapidamente. Gastrite, azia, vômitos após comer mais do que o novo estômago pode conter, má nutrição, e síndrome de dumping são outras intercorrências.

Pós-Operatório

Após o procedimento cirúrgico, é necessária a observação de detalhes importantes e a continuidade de alguns cuidados determinará o sucesso de seu tratamento. Durante uma internação hospitalar seu organismo pode perder líquidos e nutrientes e essas perdas podem causar sensação de desânimo, fraqueza e perda de apetite.

Dieta:

1ª fase- DIETA LÍQUIDA (Duração- 15 dias)

Nas primeiras duas semanas deverão ser ingeridos pelo menos 2 litros de líquidos no decorrer do dia, desde a hora que acordar até a hora de se deitar. Esses líquidos devem ser tomados em pequenos goles, de 50 em 50 ml, a cada 20 minutos. Os líquidos podem ser chás, suco diluído de fruta natural, suco de soja diluído, água de coco, caldos (carne, frango, peixe e legumes). O paciente deverá se hidratar no decorrer do dia e consumir o caldo de preferência no horário do almoço e jantar. As náuseas e vômitos são um problema comum ao ingerir além da capacidade de seu novo estômago. Sempre preste atenção aos sinais de saciedade de seu corpo. Saiba que o uso precoce de alimentos sólidos poderá forçar os pontos da operação, podendo causar graves complicações inclusive com rompimento das suturas.

2ª fase -DIETA ENCORPADA (Duração- 15 dias)

Acrescente ao caldo da primeira fase um pedaço de legume batido e peneirado. A consistência dessa refeição é maior que o da 1ª fase. Os sucos nesta fase podem ser menos diluídos. Prefira preparar os caldos em casa, ao invés de comprar sopas prontas industrializadas, bem como os sucos em pó.

3ª fase- DIETA PASTOSA (Duração- 15 dias)

Nesta fase os sucos e vitaminas não necessitam diluição, devendo-se manter a hidratação entre as refeições. A consistência desta dieta é como de um purê. O caldo pode ser batido com vários tipos de verduras e legumes, o que resultará em uma sopa grossa. Pode-se introduzir no cardápio purês de frutas tanto cozidas como cruas, purês de leguminosas, vitaminas de frutas com suco de soja ou com água. Mesmo sabendo que o alimento a ser consumido está na forma pastosa, deve-se ingerir porções pequenas na boca e ainda mastigar bem. Coma devagar e mastigue bem os alimentos. Coma apenas o necessário para saciar a fome.

Após o 45ª DIA PÓS-OPERATÓRIO, o paciente retornará ao consultório para as novas recomendações e prescrições pela Nutricionista. Será ofertado um cardápio alimentar com uma lista de substituições, aonde o paciente irá começar a fazer adaptações na sua nova alimentação. Nesta consulta será revista a suplementação vitamínica necessária.

ALIMENTOS QUE DEVERÃO SER EVITADOS NOS PRIMEIROS 3 MESES: leite e derivados de vaca, açúcares ( chocolate, balas, chicletes, doces em geral), frituras, carboidratos em excesso, bebida alcoólica, refrigerantes ou bebidas com gás. Não consuma líquidos calóricos como milk-shakes, leite condensado, creme de leite, sorvetes, flans, pudins, pois são ricos em açúcar e podem causar diarréia, tontura, fraqueza, sudorese, palpitações, taquicardia, rubor, dispnéia, sonolência, desmaios, náuseas, vômitos e dores abdominais.

Cuidados com a área operada

Geralmente não é necessária a manutenção de curativos sobre a área operada. Apenas a fita tipo micropore é recomendada. A higiene local deve ser realizada com banhos diários de água e sabão neutro. É considerada normal a saída de pequena quantidade de secreção clara ou sanguinolenta nos primeiros dias. Coloque apenas um curativo com gaze protegendo o local. Não use pomadas ou outros produtos, a não ser que haja recomendação médica. Dor intensa na ferida operatória, acompanhada por vermelhidão, inchaço e calor no local, pode indicar processo inflamatório. Procure o Serviço de Urgência do Hospital onde foi operado para uma avaliação médica.

Será necessário o uso de faixa (tensor) abdominal elástica, que se coloca em torno do abdome, de forma contínua, retirando-a apenas quando em repouso. Seu uso será por período mínimo de 90 dias com o objetivo de minimizar algumas complicações mais freqüentes das feridas, como as herniações.

Sono e repouso

O sono e repouso são importantes para sua recuperação. Nosso organismo precisa dormir, em média, oito horas diário. Você deve alternar atividade e repouso, conforme sua tolerância. Ao deitar, procure uma posição confortável. Mude de posição a cada duas horas, caso permaneça acamado por muito tempo.

Atividades

Respeite suas limitações. Procure retomar suas atividades gradualmente. Evite excessos, como levantar pesos ou exercícios físicos pesados. Quando estiver liberado, realize caminhadas diariamente, inspirando profundamente pelo nariz e expirando pela boca. Não é recomendável dirigir nas primeiras quatro semanas de operado.

Sinais de alerta

Se ocorrer um episódio de temperatura axilar acima de 38 graus, falta de ar ou aparecimento de dor abdominal, contate a equipe médica imediatamente ou procure o Serviço de Urgência do Hospital onde foi operado para consulta médica.