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Riscos da operação

Qualquer procedimento cirúrgico tem riscos e o paciente deve conhecê-los e esclarecer suas dúvidas com o cirurgião. Entretanto, estudos mostram que existe um risco muito maior do paciente morrer em decorrência de complicações clínicas relacionadas à obesidade que com a realização da cirurgia.

As estatísticas revelam que, na faixa dos 25 aos 35 anos, a taxa de mortalidade dos grandes obesos, com o dobro ou mais do peso ideal, é 12 vezes maior que na população em geral. As pessoas morrem mais cedo, porque acabam desenvolvendo doenças decorrentes da obesidade. É raro encontrar um grande obeso com 70 anos ou mais de idade.

As publicações científicas do ano de 2009 informam que a mortalidade por cirurgia bariátrica laparoscópica foi de 0,3%. O risco de morte em pacientes obesos submetidos à cirurgia bariátrica é 35% menor que naqueles obesos (com IMC > 35 Kg/m²) que seguem apenas o tratamento clínico (medicamentoso).

As recomendações pós-cirúrgicas ajudam na prevenção de complicações e podem ser realizadas pelo paciente com apoio da equipe multidisciplinar.

 

Principais problemas

Um dos problemas principais é a formação de coágulos sanguíneas nas pernas, causando tromboses e embolias devido ao longo período que o paciente fica acamado. Logo que seja possível, deve se levantar e fazer curtas caminhadas para evitar essas complicações. O uso correto de meias elásticas e de medicação anti-trombose também auxiliam na prevenção.

Outras doenças como as lesões de outros órgãos, infecções e obstruções no trânsito intestinal costumam ser mais raras e necessitam de uma intervenção do cirurgião. Fique atento a sintomas diferentes dos considerados normais nos primeiros dias do pós-cirúrgico. Acione ajuda médica sempre que precisar.

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Etapas da dieta pós-operatória

A dieta pós-operatória é um dos grandes desafios para pacientes. É dividida em diversas etapas, desde a ingestão única de líquidos até a alimentação com alimentos sólidos.

A retomada paulatina da ingestão de alimentos prepara o aparelho digestivo para a nova quantidade e a absorção de nutrientes necessários.

Confira o que acontece em cada etapa:

Primeira fase  – conhecida como dieta líquida, compreende as duas primeiras semanas após a cirurgia. É um período de adaptação. A alimentação líquida é constituída de pequenos volumes para garantir o repouso gástrico e a hidratação. A perda de peso é bem acentuada nessas duas semanas, devendo-se, em muitos casos, introduzir o uso de complementos nutricionais específicos para evitar carências de vitaminas e minerais. A orientação nutricional deverá ser iniciada pelo médico e nutricionista já no hospital, antes da alta hospitalar.

Segunda fase – é a evolução da consistência sobre a dieta. A alimentação evolui aos poucos de líquida para pastosa, incluindo preparações liquidificadas, cremes e papinhas ralas, conforme a tolerância e as necessidades de cada um,. A evolução de cada paciente é variável. A escolha de cada alimento deve ser acompanhada, cuidadosamente, para evitar desconfortos, como dor, náuseas e vômitos. A tem um tempo de duração diferente para cada indivíduo, porém, em média, até duas semanas.

Terceira fase – já envolve uma seleção dos alimentos, mais qualidade e mastigação exaustiva. Passado o primeiro mês após a cirurgia, tem início um período para melhor seleção dos alimentos e com grande importância nutricional, já que as quantidades ingeridas diariamente continuam muito pequenas. Os alimentos escolhidos deverão ser fontes diárias de ferro, cálcio e vitaminas. O paciente e a família deverão receber orientações sobre as fontes alimentares dos nutrientes de maior importância. Como a alimentação passa a ser mais consistente, deve-se mastigar exaustivamente. A duração dessa fase também varia individualmente e dura, em média, um mês.

Quarta fase – os alimentos começam a ser modificados gradativamente para uma consistência cada vez mais próxima do ideal para uma nutrição satisfatória. Geralmente, ocorre a partir do 3º mês após a cirurgia, quando a maioria dos alimentos começa a ser introduzida na alimentação diária. O cuidado com a escolha dos alimentos nutritivos deve continuar, pois as quantidades ingeridas diariamente continuam pequenas. Com o auxílio do nutricionista, o paciente pode selecionar os alimentos que mais lhe agradam e que proporcionem maior conforto e qualidade nutricional. Somente não são tolerados alimentos muito fibrosos e consistentes, assim como os muito ácidos e gordurosos.

Quinta fase – nesta última etapa, acontece a adaptação final e a independência alimentar deve acompanhar o paciente a partir do 4º mês. Como nas fases anteriores, também evolui de acordo com as características individuais, podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois do 4º mês. A partir dessa fase, um acompanhamento periódico se faz necessário, não somente para o acompanhamento da evolução de peso e levantamento de informações, como também para identificar se existem carências nutricionais, como, por exemplo, a anemia. O paciente já tem bastante segurança na escolha dos alimentos e está apto a compreender quais são os ricos em proteínas, glicídios e lipídios, cálcio, ferro, vitamina A, vitamina C, folatos e outras propriedades nutricionais.

Lembre-se: qualquer dúvida ou peso estacionado, você deverá procurar seu nutricionista para que haja uma reavaliação de sua dieta. Também não é recomendado ingerir vitaminas e substâncias sem indicação da equipe multidisciplinar.

A dieta é uma das principais etapas na recuperação da cirurgia bariátrica. Deve ser levada à sério e com disciplina!

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Alteração de equilíbrio no indivíduo obeso

Por Michelle Nery, fisioterapeuta do IMOC

A obesidade gera alterações posturais relevantes, e uma delas é a alteração do centro de gravidade do indivíduo.

O aumento do peso, principalmente na região anterior, faz com que o obeso adquira um postura “desabada para frente” que, torna-se confortável em função desse peso maior na região abdominal. Entretanto, esse vício postural gera uma fraqueza da musculatura das costas que fica excessivamente alongada e cria-se um ciclo vicioso entre a má postura e a falta de força/ativação da musculatura extensora de tronco que acaba por favorecer a manutenção dessa postura inadequada.

Com o emagrecimento, esse desequilíbrio torna-se mais evidente e quedas podem começar a acontecer, não só pela diminuição do peso que alterava todo o alinhamento, como também pela perda de massa magra que ocorre durante esse processo. Nesse momento, a orientação especializada do fisioterapeuta fará toda a diferença e guiará a melhor abordagem para cada caso.

Vale destacar que na consulta fisioterápica pré-operatória, o paciente obeso já fica ciente dessas possíveis alterações e aprende a como evitá-las.