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Hora certa para hábitos saudáveis

É comum ouvirmos amigos e familiares dizerem “na segunda-feira, inicio a dieta”; “depois do Natal, começo as atividades físicas”; “depois do Carnaval, diminuo a ingestão de bebidas alcoólicas”; ou “depois da Páscoa, paro de comer tanto açúcar”. Nesse sistema, entra e sai mês, os hábitos saudáveis são postergados, quando de fato, a ação não depende de uma data, mas apenas da iniciativa, vontade e disciplina de cada um. A hora certa de iniciar uma vida saudável, com prática de exercícios físicos e ingestão de dieta equilibrada é agora.

O que observamos nos consultórios é que, depois de passar uma vida de adiamento dos hábitos saudáveis, quando as pessoas procuram ajuda médica, já estão com a saúde comprometida. Sobrepeso, obesidade, obesidade mórbida, diabetes, problemas cardiovasculares, respiratórios e, até mesmo, envelhecimento precoce são os resultados de uma vida cheia de “depois”.

Realmente, na vida moderna, existe uma série de dificuldades que vão contra os hábitos saudáveis. Em média, uma pessoa em vida produtiva, acorda às 6h para sair de casa às 7h e chegar ao trabalho às 9h. Provavelmente, toma o café da manhã por volta das 6h30 (pão com café). Ao chegar ao serviço, nem sempre consegue se lembrar de se alimentar por volta das 10h. Quando se dá conta, são 11h30 e o estômago pede uma alimentação de peso. Lá vai o prato com muita massa, fritura, quase nenhuma salada. No período da tarde, possivelmente, a rotina corrida não permitirá a ingestão de uma fruta, ou um suco. O retorno para casa se dá por volta das 20h. Em tempos de violência, não são todos que se permitem sair de casa. Dessa forma, dia após dia, a vida saudável nunca acontece.

Embora existam, as dificuldades são maiores devido à falta de prática. O organismo não conhece as substâncias saudáveis resultantes das atividades físicas e de uma dieta equilibrada. A preguiça e as desculpas vencem. Quando falo em dieta balanceada, não é sobre pratos apenas com salada ou cortar integralmente o consumo de doces. Mas, sim, sobre uma alimentação composta de alimentos realmente necessários ao organismo, sendo distribuídos ao longo do dia, de forma que não se chegue a sentir fome.

É preciso mudar o modo de ver a própria rotina, pensar nos benefícios que isso trará. Mesmo com uma rotina tão intensa como a citada acima, uma pessoa pode, acordar 40 minutos mais cedo, por exemplo, e caminhar 30 minutos antes de ir para o trabalho. Ou, ao invés de enfrentar o trânsito caótico das 18h, levar um tênis e fazer uma caminhada de 30 a 45 minutos nas imediações do serviço. Diversos estudos comprovam que essa prática, de 5 a 7 dias por semana, reduz o risco de ataque do coração em mais de 30%. Os idosos, com mais de 75 anos e que caminham sempre, têm até 45% menos chances de infarto. A mesma medida reduz o risco de câncer de mama; melhora a qualidade do sono, ajuda a conquistar e a manter o peso ideal; reduz o afinamento dos ossos; fortalece as articulações; e diminui o estresse.

Sobre a alimentação, nem sempre temos opções saudáveis na rua para os lanches do dia. O melhor é levar esses alimentos de casa. Frutas como laranja, banana, maçã, entre outros que não são caros, se comprados em sacolão. Com R$10 é possível comprar frutas variadas para uma semana. É necessário disciplina para manter os horários de alimentação, lembrar que a saúde está em primeiro lugar.

Como dito anteriormente, o melhor momento para se iniciar esses hábitos é agora. Com certeza, os resultados valerão o esforço. O investimento será muito menor que o valor gasto com remédios, quando começam aparecer os problemas de saúde.

Por: René Berindoague – Diretor técnico do Instituto Mineiro de Obesidade e Cirurgia

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Emagrecer e perder peso não são a mesma coisa: entenda qual a diferença

Acompanhar a redução do peso apenas pelo número indicado na balança não é o melhor método para avaliação do sucesso do tratamento

Emagrecer e perder peso não são a mesma coisa: entenda qual a diferençaVocê está firme na academia, dedicado nos exercícios e comprometido com uma dieta saudável, mas o ponteiro da balança teima em não baixar. É então que uma dúvida, muitas vezes angustiante, pode surgir: por que não consigo perder mais peso? Este tipo de sensação é comum e tem uma explicação: perder peso não é a mesma coisa que emagrecer. E isto é muito importante!

“Perder peso é reduzir o montante do valor numérico de sua massa corporal total. Já emagrecer é reduzir o percentual de gordura do corpo”, explica o educador físico Marcos Oliveira, mestre em ciências endocrinológicas pela UNIFESP e integrante da Comissão de Especialidades Associadas da SBCBM (COESAS-SBCBM).

Em primeiro lugar é preciso esclarecer os tecidos que compõe o corpo humano. Basicamente existem três tipos:
– Massa de gordura.
– Massa livre de gordura (massa muscular, massa óssea, cartilagens, ligamentos e tendões).
– Fluídos extra e intracelulares.
Esta é uma diferença importante. Quem reduz o peso sem fazer exercícios acaba perdendo massa muscular e mantendo tecido adiposo. “A massa muscular apresenta maior densidade que a gordura. Por isso ocupa menos espaço no corpo. Com isso, muitas vezes a pessoa pode reduzir sua massa de gordura e mesmo assim não notar grandes reduções na balança”, explica Marcos Oliveira.
É por isto que acompanhar a redução do peso apenas pelo número indicado na balança não é o melhor método para avaliação do sucesso do tratamento. O ganho de massa muscular pode mascarar a perda dos quilos em excesso. “A realização de exames de composição corporal como a bioimpedância, por exemplo, constitui uma das melhoras maneiras de mensurar a evolução do emagrecimento no paciente”, esclarece o educador físico.

Dicas para exercícios
Apesar de ser importante reduzir o peso, quem faz isso praticando atividades físicas tem benefícios adicionais. Seu corpo fica mais preparado para tarefas diárias, há ganho de energia, força e disposição e a imagem corporal tende a melhorar.

O professor Marcos Oliveira lista sete dicas importantes para quem deseja colocar o corpo em movimento para emagrecer e não somente perder peso:

– Escolha uma atividade que gosta de fazer, isso ajuda na motivação.
– Monte uma programação e sempre que possível, procure realizar exercícios nos mesmos horários. Isso ajuda a criar uma rotina.
– Chame um amigo para acompanhá-lo para manter a motivação.
– Mantenha regularidade na prática de atividades físicas: quem se exercita sem frequência pode ter um risco de lesões maior.
– Tenha metas e seja realista na hora de criá-las. Esperar resultados imediatos também é um erro. O comportamento imediatista é uma das principais causas da frustração e falta de adesão aos exercícios.
– Tome cuidado com as dietas da moda e tenha sempre o acompanhamento de um nutricionista.
– Procure sempre a orientação e o acompanhamento de um profissional de educação física. Isso ajuda a praticar os exercícios da melhor maneira e reduz as chances de lesão.

Fonte: SBCBM

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Diretriz internacional aponta a cirurgia metabólica como opção de tratamento para o diabetes

1083-BX-300x199Uma diretriz de conduta no diabetes tipo 2 assinada por 45 entidades mundiais que estudam o diabetes, entre elas a SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, foi publicado ontem (24.05) na Revista Diabetes Care, editada pela ADA – Associação Americana de Diabetes. O documento, elaborado em setembro do ano passado durante o 2º DSS – Diabetes Surgery Summit, em Londres, aponta a cirurgia metabólica como mais uma opção a ser considerada no tratamento do diabetes tipo 2 para pacientes com IMC – Índice de Massa Corporal entre 30 kg/m² e 35 kg/m².

“O diabetes vem crescendo vertiginosamente em todo o mundo e a comunidade científica está buscando soluções para combater esse avanço. Sem dúvida a cirurgia metabólica representa uma opção para os pacientes que não conseguem controlar a glicemia elevada com os tratamentos convencionais”, comenta Dr. Josemberg Campos, presidente da SBCBM.

Empenhada em intensificar a cirurgia metabólica no Brasil e promover uma mudança de paradigmas no combate ao diabetes, a SBCBM aguarda um posicionamento do CFM – Conselho Federal de Medicina em relação à aprovação da cirurgia para pacientes com IMC a partir de 30 kg/m2. Atualmente exige-se IMC mínimo de 35 kg/m2, com doenças associadas, para a realização do procedimento.

Clique aqui para ler o documento publicado na Revista Diabetes Care.

Clique aqui para ler um editorial publicado pela IFSO.

“O tratamento do diabetes com a cirurgia metabólica é uma tendência mundial. No Brasil representa uma alternativa eficaz para 5% a 15% dos 13,5 milhões de diabéticos existentes no País. Combatendo o diabetes podemos diminuir a possibilidade de surgimento das doenças associadas como os problemas renais, de visão, circulatórios, entre outros”, explica o Dr. Ricardo Cohen, ex-presidente da SBCBM e o único brasileiro a participar da elaboração do documento, que também destaca que “esta diretriz tem como objetivo colocar a cirurgia metabólica como opção no algoritmo de tratamento do diabetes tipo 2, baseada na severidade da doença”.

Números alarmantes

Em recente relatório sobre diabetes divulgado este ano a OMS – Organização Mundial da Saúde revelou um crescimento alarmante da doença em todo o mundo. São 422 milhões de adultos convivendo com o diabetes. O número em 1980 era de 108 milhões de pessoas. Comparando os dois períodos, a incidência na população adulta quase duplicou, passando de 4,7% para 8,5%.

No Brasil, o número passou de 5% para 8,1% no mesmo período. Em 2014 no Brasil foram 71,7 mil mortes pela doença e mais 106,6 mil óbitos por conta da glicemia elevada.

No documento a OMS estima que em 2030 o diabete seja a sétima causa de óbitos no mundo.

Sobre a SBCBM

A SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica foi fundada em 1996. Inicialmente batizada como SBCB – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, em 2006 a entidade inseriu a palavra “Metabólica” em seu nome, devido à crescente importância da cirurgia metabólica na comunidade médica.

Possui atualmente mais de 1,7 mil sócios entre cirurgiões e especialidades associadas (endocrinologista, cardiologista, educadores físicos, cirurgiões plásticos, fisioterapia, enfermagem, odontologia, fonoaudiologia, nutricionista e nutrólogo e psiquiatra e psicólogo) com representantes no país por meio de capítulos e delegacias.

Fonte: SBCBM