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Cartilha desvenda a cirurgia bariátrica; saiba o que é mito e o que é verdade

Publicação educativa ‘Cirurgia da obesidade – tudo o que você precisa saber’ esclarece quem pode ser operado, como se preparar para o procedimento e as recomendações no pós-operatório

A primeira recomendação é adotar hábitos saudáveis, como dieta leve e exercícios físicos regulares. Em seguida, medicamentos conhecidos como emagrecedores entram em ação para tentar controlar a obesidade. Só depois da constatação de que todas as possibilidades se esgotaram parte-se para a cirurgia bariátrica. Assim deve ser o caminho de um paciente obeso que decide submeter-se ao método, conhecido popularmente como redução de estômago, de acordo com o diretor técnico do Instituto Mineiro de Obesidade e Cirurgia, em Belo Horizonte, René Berindoague.

Na cartilha educativa ‘Cirurgia da obesidade – tudo o que você precisa saber’, o especialista também esclarece quem pode ser operado, como se preparar para o procedimento e as recomendações no pós-operatório. A seguir, alguns esclarecimentos do médico em relação a dúvidas que geralmente surgem no consultório.

O paciente normalmente engorda um ano depois da cirurgia.
Mito. Na maioria dos casos, o ganho de peso ocorre quando o paciente não assume hábitos saudáveis, como a adoção de dieta menos calórica e mais nutritiva e a prática de exercícios físicos regulares.

Perde-se mais peso nos primeiros seis meses.
Verdade. A perda mais significativa de
peso ocorre nessa época, daí a importância de o paciente seguir com disciplina as recomendações médicas na primeira
etapa do pós-operatório.

Quem faz cirurgia bariátrica fica propenso ao alcoolismo, uso de drogas ou comportamento compulsivo para compra.
Mito. Não existe nenhuma evidência científica de que, no pós-operatório, o paciente comece a ter tendência ao alcoolismo ou ao uso de drogas. Quanto à compulsão por compras, pode-se evitá-la com acompanhamento psicológico. Ao perder peso, o paciente resgata a autoestima e passa a ter prazer em adquirir roupas e produtos de uso pessoal.

O paciente vai ficar careca depois da operação.
Mito. Cerca de 70% dos pacientes sofrem queda de cabelo depois da cirurgia bariátrica. O processo geralmente ocorre entre o terceiro e o sétimo mês de pós-operatório e é devido à carência de proteínas e outros nutrientes. Depois dessa fase, ocorre gradualmente uma renovação da raiz do cabelo.

A mulher pode engravidar no pós-operatório.
Verdade. A paciente é liberada para engravidar 18 meses depois da cirurgia. Antes disso, recomenda-se a anticoncepção. Os anticoncepcionais, no entanto, podem não ser completamente eficazes, daí a necessidade da consulta
com o ginecologista.

A depressão é uma consequência comum para quem faz a cirurgia.
Mito. Não existe uma tendência. A depressão pode surgir devido a fatores desconhecidos, que devem ser investigados por psicólogo ou psiquiatra.

Há tendência de anemia no pós-operatório.
Verdade. As mulheres têm mais tendência à anemia por causa da menstruação, perda de ferro e pouca presença de carne vermelha na dieta. A situação pode ser minimizada com a ingestão de alimentos ricos em ferro ou, se necessário, a utilização de suplementos vitamínicos.

É comum a intolerância a leite depois da operação.
Mito. Normalmente, não há reações adversas ao consumo de leite e derivados. Os alimentos são, inclusive, recomendados, sobretudo para as mulheres, como fontes de cálcio.

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Conversa entre pacientes ajuda a resolver dúvidas sobre cirurgia bariátrica

Questões sobre a indicação e a preparação para a cirurgia serão apresentadas em evento do Instituto Mineiro de Obesidade e Cirurgia neste sábado, em Belo Horizonte

O número de cirurgias bariátricas feitas no Brasil aumentou quase 90% nos últimos cinco anos e chegou a 72 mil em 2012, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 6.029 foram feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas ainda assim o país é o segundo que mais realiza esse tipo de cirurgia, atrás apenas dos Estados Unidos. Em Belo Horizonte, são realizadas cerca de 30 operações de redução gástrica por dia.

Para o presidente da SBCBM, Almino Ramos, a ampliação se deve ao maior conhecimento da população sobre o procedimento. Além disso, o SUS reduziu o limite de idade e pacientes com 16 anos já podem se candidatar a uma avaliação. A demanda por informações e as dúvidas sobre quem pode fazer a intervenção motivaram o Instituto Mineiro de Obesidade e Cirurgia a realizar, neste sábado (1), a ‘Reunião de Pacientes com Obesidade’, de 9h às 11h, no Hospital Life Center ( Av. Contorno, 4747 – 20º andar – Serra).

Na reunião, profissionais da equipe multidisciplinar do Instituto e convidados fazem palestras nas áreas de psicologia, nutrição, endocrinologia e cirurgia. Participam do evento pacientes que foram operados de gastroplastia e aqueles que estão em preparação para a cirurgia, que não deve, no entanto, ser encarada como ‘salvação’.

É consenso entre os especialistas que a intervenção deve ser a última alternativa. O paciente deve tentar primeiro a mudança de hábitos alimentares e exercícios físicos e os requisitos para se candidatar à operação incluem o Índice de Massa Corporal acima de 40 ou acima de 35, dependendo do caso, além de problemas associados ao excesso de peso, como diabetes, hipertensão e colesterol, por exemplo.

A pessoa interessada na intervenção – que oferece riscos como como infecções, tromboembolismo (entupimento de vasos sanguíneos), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas) e pneumonia, entre outros – é avaliado em relação à sua capacidade de manter hábitos saudáveis depois do procedimento. Já na preparação, muitos candidatos devem perder cerca de 10% do peso, antes da cirurgia.

Dúvidas
No Brasil, há pelo menos três tipos de técnicas de cirurgia bariátrica aprovadas e a forma como o procedimento é feito também varia, podendo ser por abordagem aberta ou por videolaparoscopia, que é menos invasiva e mais confortável.

A analista de comércio exterior Ana Elisa Starling, 34, é uma das pacientes que procura mais informações sobre o tratamento e vai participar do encontro. “Já fiz todos os exames para avaliar meu quadro clínico. Agora vou saber mais sobre o pré e o pós-operatório e sobre a técnica em si”, explica.

Ana Elisa tem 1,65 m de altura e 120 kg, IMC de 44,1, configurando obesidade mórbida. Ela também sofre de pressão alta. “Meu peso descontrolou após a adolescência e, nos últimos três anos, aumentou muito. Tentei outros tratamentos, como o balão e todo tipo de dieta imaginada, mas não deram certo”, relata. De acordo com o cirurgião e diretor técnico do Instituto Mineiro, René Berindoague, a troca de experiências é um incentivo para iniciar e manter hábitos saudáveis, que fazem parte do tratamento. Para mais informações sobre o encontro que será realizado neste sábado na capital mineira.